Wednesday, July 26, 2006

My private Neruda

A moça aqui me fez lembrar. O meu - e só meu - é o Soneto XX.


Minha feia, és uma castanha despenteada,
minha bela, és formosa como o vento,
minha feia, de tua boca se podem fazer duas,
minha bela, são teus beijos como frescas melancias.

Minha feia, onde estão escondidos teus seios?
São mínimos como dois vasos de trigo.
Me agradaria ver-te duas luas no peito:
as gigantescas torres de tua soberania.

Minha feia, o mar não tem tuas unhas em sua tenda,
minha bela, flor a flor, estrela por estrela,
onda por onda, mensurei teu corpo:

minha feia, te amo por tua cintura de ouro,
minha bela, te amo por uma ruga em tua fronte

amor, te amo por clara e por escura

Porque sou castanha e despenteada, com seios mínimos como dois vasos de trigo mas dona de uma cintura de ouro. E de uma única ruga na fronte, desde sempre.

Porque preciso ser amada imensamente pela minha feiúra e escuridão. Imensamente, incomensuravelmente, até ficar clara e bonita. Radiosa.

3 Comments:

Blogger Carla San said...

Mulher, vc deixe de ser besta, pq as fotos que eu vi de ti no Megeras, mostravam uma mulher linda de dar raiva, com um sorriso q pode fazer a diferença em dias cinzentos. Bjs

7:22 PM  
Blogger Ticcia said...

Clara/escura, a lua é mulher e às vezes é nega e nova, às vezes é brilhante e cheia e pelo meio se cresce e se encolhe. Felizes daquelas que estão felizes tanto nas sombras quanto no plenilúnio, né? Por isso mesmo é que gosto tanto de ti. Beijo.

9:55 AM  
Anonymous Sil said...

Esse Neruda sabia das coisas...já pensou que privilégio ser chamada de "minha fea"?

7:19 PM  

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